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29/11/2022

Tendências de consumo, metaverso e tributação: onde você quer estar nisso?

Por

Dayana Uhdre

Um comentário feito por uma aluna esse ano não me sai da cabeça sempre que leio ou reflito sobre Metaverso e afins. Era justamente esse o tema em pauta, e comentávamos que somos cada vez mais seres tecno dependentes, e interagimos crescentemente por meio de interfaces digitais (sejam redes sociais, plataformas de games, etc). Ela, que tinha pouco mais de 20 anos, relatou namorar há alguns anos um rapaz, e que desde então convivia com o irmão mais novo dele (que tinha algo entre 12 e 13 anos, se não me falha a memória). Disse-me que certo dia comentou com o namorado que achava peculiar o fato de ela nunca ter visto o seu irmãozinho trazer amigos da escola para brincar com ele. Ele deu uma risada e esclareceu que ele brinca e interage o tempo todo com os coleguinhas, todos conectados simultaneamente em uma plataforma de game previamente escolhida.

Tal narrativa nos mostra que para grande parte das novas gerações é mesmo natural o convívio social ser realizado em ambientes digitais. Não por outra razão, vemos o varejo investir, cada vez mais, em estratégias de marketing nesses ambientes a fim de captar o consumo desse público mais jovem. A Casas Bahia, por exemplo, inovou nas ações de marketing no final de novembro deste ano, trazendo, dentre outras estratégias, o uso de plataforma Metaverso. Um parêntese aqui: apesar de não termos uma definição clara e única do que será "Metaverso", no atual estado da arte há certa confluência em vê-lo como uma plataforma de interação social, semelhante a um ambiente de jogo. Pois bem, o objetivo da empresa varejista fora o de atrair o público jovem, criando uma versão adolescente do seu avatar o CB (Baianinho) que outrora era uma criança, imprimindo-lhe uma personalidade ativista, preocupando-se com questões como diversidade e meio ambiente com falas diretas e inclusivas. Vale lembrar que tal investida não é isolada: em fevereiro de 2022 o personagem Baianinho entrou para o mundo do game, se tornando, agora, o primeiro streamer gamer a fazer parte do metaverso. Nas ações da Black Friday deste ano, a Casa Bahia realizou live shoppings em plataformas das redes sociais (Facebook, Tik Tok e Youtube) como no próprio Metaverso.

Assim, apesar do futuro do Metaverso, isto é, de sua máxima potencialidade, ser em grande parte incerto nesse momento, sob o prisma da experiência de consumo, parece ser uma forte (e diria certeira) aposta do varejo. Relatório da McKensey estima que o gasto em plataformas Metaverso será da ordem de 05 (cinco) trilhões de dólares até 2030, sendo que só o  e-commerce (metacommerce) será responsável por 2.6 (dois ponto 6) trilhões de dólares. E, se olharmos o Metaverso em sua faceta de entretenimento, mais detidamente de plataformas  "games", tal tendência faz sentido. Estudos revelam que gastos em plataformas e consoles de jogos já vinham em forte ascendência: transações financeiras feitas nas principais plataformas e consoles de jogo cresceram 140% em 2020 ante 2019, segundo um estudo feito pela bandeira de cartões Visa. 

Pensando em tal tendência e na grandeza dos valores envolvidos aqui é necessário debatermos se e como poderemos tributar essas operações de consumo. Mais especificamente, é preciso de um lado que olhemos as normas hoje vigentes a fim de se discutir de que forma podemos operar com elas a fim de dar respostas às demandas hoje já em pauta. E de outro lado, é necessário que identifiquemos os principais riscos que tais operações trazem à tributação do consumo, à lógica do sistema jurídico-tributário, para que busquemos, juntamente às comunidades internacional e acadêmica e aos partícipes do mercado, as melhores alternativas para que adaptemos as normas, e sua ratio, à realidade digital.     

Por certo que o caminho é longo, e que estamos apenas no seu início. Porém, e aqui fica minha provocação a vocês, onde você está ou quer estar posicionado nessa jornada?  


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